eu

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

lagarta no casulo

Eu não sei se as pessoas costumam fazer uma reflexão de quem elas são realmente.
Mas eu sei que nunca me conheci tanto quanto no último ano. Me voltei pra dentro de mim e confesso que me vi totalmente descompensada, palavra que uso muito para me descrever ultimamente.
E me descompensei mesmo, chacoalhei e me perdi dentro de mim! Havia dias que nem sabia o que estava fazendo acordada fora da cama.
Eu vivi essa revolução, uma guerra dentro de mim. E acredito que foi a primeira vez na vida que não me julguei totalmente, me culpei um pouco sim, mas me livrei das ataduras que me prendiam e preconceitos que me cercavam.
Quando vc sente dor e vê que seu mundo está mexendo você percebe o quanto a vida está te empurrando para a transformação, para a evolução, e a dor, a confusão e o sofrimento fazem parte de todo esse processo.
Me dilacerei, me reprimi me permiti e agora eu vejo que todo esse rito de passagem era para olhar aqui, bem dentro de mim e então me re-enxergar.
Tive picos de euforia, tristeza, melancolia e alegria, me senti quase bipolar.
Mas as coisas vão se encaixando e o turbilhão vai passando.
Renasci mais uma vez, livre dos medos que me prendiam e limitavam.
Agora acho que estou pronta, com a terra arada que venha a chuva, para uma nova plantação renascer.
Por que agora eu me conheço um pouco mais e sei do que sou e não sou capaz!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O luto

Toda vez que volto a escrever é porque vi, li ou senti algo diferente, que despertou uma sensação fora do comum em mim.
E como não poderia ser diferente sinto nesse momento que tenho que escrever sobre a sensação do luto que paira em minha vida.
Certa vez li um texto do Pedro Bial quando o Bussunda faleceu, em que dizia que a morte nos pega de surpresa, que a morte é um clichê, uma piada.
Realmente ela pega a gente no meio do caminho, ela não espera você se despedir, dizer que ama ou realizar seu maior sonho. Ela não espera você dizer que errou ,pedir desculpas, concluir aquele curso ou pular de paraquedas. Não espera você beijar aquela pessoa especial e nem dizer a alguém o quanto a admira.
Costumo dizer que a vida é agora e por acreditar tanto nisso sou tão intensa nas relações. Eu não sei ser amiga pela metade, ser mãe pela metade ou ser mulher pela metade, eu me entrego de corpo e alma.
Existe um texto do Shakespeare que levo como teoria de vida e diz que devemos construir nossas estradas no hoje porque o terreno do amanha é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Quando alguém que você ama se vai abre um buraco grande em seu coração, em sua alma e em sua vida, mas o mundo não para por conta disso. O sol continua a nascer, as flores continuam a cair e o fluxo de todas as coisas continuam a funcionar.
A vida segue, dolorosa, vazia e triste mas segue e talvez a morte seja uma grande lição para quem vive.
Eu não me despedi dessa pessoa tão especial que perdi, mas eu sei que a amei e a tratei com doçura e carinho todos os dias, então uma das lições que tiro é aquela mais clichê possível sobre amar as pessoas como se não houvesse amanha.
Mas a lição mais importante de todas para mim é sobre amar a vida, é se jogar nela de corpo e alma, é sentir cada momento como se fosse único, é deixar o trabalho e o sucesso de lado de vez em quando e curtir as pequenas coisas como se fossem grandes, é abraçar as pessoas com vontade, é se entregar profundamente e amar intensamente.
Pois como dizia minha amada Clarice Lispector: A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.

Em homenagem a minha amada Tereza que doou sua vida para o próximo e que viveu com amor e entrega todos os segundos de sua existência.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Momentos

E nessas indas e vindas da vida algumas vezes perco o contato comigo mesma, na chata rotina e na intensa dedicação a todo dia fazer a mesma coisa no piloto automático me esqueço de pensar, de me encontrar.
Mas de vez em quando após ler um bom livro ou ver um bom filme consigo resgatar essa intensidade quase escondida ou presa la no fundinho de mim, e assim aconteceu depois de tanto tempo, consegui encontrar algo que me deixou em meu melhor estado, o estado reflexivo.
Foi após um filme que um tanto sem graça, com um discurso simples e com um foco no publico adolescente que me fez por um momento viver a emoção de entender o momento da felicidade.
O filme chama em português "SE EU FICAR".
Conta a historia de uma garota que sofreu um acidente e esta em coma, e após perceber fora do corpo que perdeu a família inteira no tal trágico acidente se vê indecisa a ficar ou partir. Draminha típico 14 anos, tem um garoto, claro, e a tentativa de conseguir entrar na melhor faculdade de Artes dos EUA. Basicamente essa é a historia, um tanto quanto bonitinha mas cansativa, porem em um dado momento lá para o final do filme, ela se lembra de um dia feliz em sua vida. E foi aí nesse momento que consegui sentir a verdadeira mensagem.
No filme estão todos em volta de uma fogueira tocando a musica do Smashing Pumpkins "Today", ela com seu violoncelo seu namorado com um violão e todos os outros(família e amigos) cantando.
E assim vendo e vivendo esse momento de felicidade em um filme comecei a pensar do que é feita nossa tediosa vida senão esses lindos momentos que nos completam. Já diziam os filósofos que vivemos em busca desses momentos, são eles que nos fazem aguentar todo o resto, todas as decepções, todas as monotonias diárias e todo o sofrimento dessa vida que mais nos caleja do que nos faz sorrir.
Eu ainda sinto então que tenho muitos momentos felizes, pois tenho uma vida regada de amigos, uma vida regada de amor, de família e de momentos maravilhosos com todos esses.
Tenho problemas sim mas mais ainda tenho gratidão a eles, pois me fazem crescer a cada dia e são eles que me levam de um momento feliz a outro.
Cada um encontra a felicidade em seu momento, e esse pode ser o momento que você quiser, e não importa se o mundo pensa o contrário, pois o momento é só seu.
Quero dividir sempre esses meus momentos porque para mim felicidade compartilhada é felicidade completa, felicidade dividida é felicidade além desse mundo, é na minha opinião aquela que levamos com a gente para o resto da vida e até depois dela.
Agradeço de coração a todos que fizeram, fazem ou farão parte dos meus momentos de felicidade.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Em mim

Passo tanto tempo trancada dentro de mim que esqueço muitas vezes de abrir a janela e olhar em volta.
Tenho um mundo aqui dentro e fico tanto tempo aqui, numa luta interna constante, querendo acertar sempre, controlar tudo sempre, ser melhor sempre. Não me admito errar, perder, ter falhas, chorar e ser humana. Sinto-me sozinha, perdida e infeliz.
Mas quando tiro uma folguinha e olho o mundo lá fora vejo que ele não é tão ruim assim, mesmo muitas vezes sendo judiada e massacrada, de vez em quando alguém resolve mandar um sinal de que as coisas podem melhorar, de que não estamos sozinhos.
E assim vou caminhando, caindo e levantando.
A cada dor e decepção um ganho de experiência.
Aprendi a viver alguns lutos, algumas perdas e algumas dores.
Aprendi mais uma vez a abrir mão, a desapegar a me libertar.
Estou me acostumando tanto a me machucar que já não sei se isso é bom ou ruim, não sei se irá me deixar dura de mais ou pessimista de mais.
O que sei é a cada minuto aprendo que posso suportar que posso ser mais forte, que posso ir além.
Não preciso de mais nada além de mim para a minha felicidade.
Porque toda a vez que coloco isso na mão do outro a carga fica pesada de mais e nem eu me agüento.
Porque toda vez que começo achar que alguém ouviu minhas preces. Parece que logo em seguida outro alguém vem me derrubar.
Mas essa luta em ser melhor é o que tem me feito levantar todos os dias da cama, mesmo nos dias de insônia... É saber que a vida não é feita só de tempestades, mas também dias de sol.
E o que eu não quero nunca é deixar de ser quem eu sou, porque enquanto só crio calos não faz mal, mas quando começo a perder minha essência isso dói.
Não quero deixar de amar e acreditar nas pessoas. Nem quero perder meu sorriso intenso.
Não quero deixar de ajudar quem quer que seja ou precise de mim, e não quero nunca generalizar, achar que todo mundo é igual.
Quero continuar com meu lema de prefiro me magoar a magoar alguém, quero continuar a me doar ao próximo, quero continuar a me resignar com a dor do outro e me entregar sem esperar nada em troca.
Então mesmo assim presa num mundo interno de insegurança e angustia.
Desejo infinitamente continuar a sorrir por fora, a engolir minhas dores e a amar incondicionalmente minha vida e as pessoas que conheço.




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eu me amo

Me amar, me admirar, gostar de quem eu sou de pacote completo com tudo o que carrego, tem sido muito difícil.Confesso que agora na meia idade é que estou aprendendo essa dolorosa mas ao mesmo tempo prazerosa lição.
Não se trata de ser egoísta, não se trata de pensar ser melhor que alguém. É um tratamento interno, um acolhimento de coração, de personalidade e de alma.
Tem que ter um equilíbrio, o tempo certo, a medida correta para não me perder em me amar de mais e daí chegar ao ponto absurdo do convencimento, ou me amar de menos e aí perder o tino para o rebaixamento total do ego.
Esse exercício levou tempo, o tempo de esvaziar muita bagagem, jogar fora culpas, medos, arrependimentos. Deixar de me comparar me desmerecer e me torturar. Ter prudência e admiração na dose exata, sem exageros e sem medos.
Hoje penso que isso talvez seja o que vem de bom no peso dos 30, na maturidade, no encarar a vida com mais leveza.
É um pouco triste porque para chegar ate aqui tive que deixar de acreditar em príncipe no cavalo branco e em “foram felizes para sempre”.
Mas aprendi a acreditar em plantar para se colher, em dedicação, doação e entrega.
Aprendi que algumas coisas machucam de verdade e que as cicatrizes nos endurecem, mas que o melhor da vida é ser surpreendido.
Uma dor aqui, um sorriso ali e de tanto a gente apanhar a vida para de doer, e de tanto sorrir começamos a acreditar.
E percebi que passei muito tempo sonhando com a vida que queria ter que nem percebi que ela é muita parecida com a que tenho. E como disse meu amado Shakespeare o terreno do amanha é incerto, então devemos construir nossas estradas no hoje.
Eu me amo com todos meus defeitos, cicatrizes, teimosias e vergonhas.
Eu me aceito com um cabelo loiro de mentira, um metabolismo de 32 anos, um nariz grande de italiana e um corpo depois de dois filhos. Me aceito com a personalidade maluca de geminiana, com todas minhas trapalhadas e com todos os absurdos que já cometi na minha impulsividade, mas também me amo assim com a alma de menina e a responsabilidade de muitos homens, me aceito na minha simpatia, na minha alegria e na facilidade que tenho de amar todo mundo.
Me amo pela complexibilidade, pela força, pela independência e pela facilidade que tenho em perdoar, mesmo com alguma imaturidade, mesmo com alguns tombos, mesmo com vontade de correr de vez em quando.
Vou deixando para trás o que já não me serve e compartilho aquilo que me sobra.
E assim escrevendo linha após linha que liberto minha alma para o mundo sem a vergonha de me expor, mas com a grande certeza que me aceito como sou sem medo de mudar e tentar me tornar cada vez mais um ser humano melhor.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Essa tal felicidade

Sabe aquela tão sonhada felicidade ?
Demorou um tempo mas acho que hoje eu descobri que ela existe dentro de mim.
A maioria das pessoas passam a vida em busca dessa felicidade e por muitas vezes tem o costume de colocar a dependência dela em coisas, pessoas ou situações.
A pouco fiquei sabendo que ela nunca será completa e muito menos eterna. Felicidade completa não existe porque o sofrimento é inerente a vida humana.
Mas ser alegre, de bem com a vida e se sentir feliz mesmo nos momentos difíceis é uma maneira de ser grato a nossa existência.
Eu não quero depender de nada grandioso para ser feliz, quero ser por si só e ponto.
Tenho uma prima que diz que para ser feliz ela se apega até em uma lapiseira nova, sabe para dar empolgação, motivação e impulso na sua vida.
Eu descobri lapiseiras dentro de mim, e vou colecionando elas pouco a pouco.
De manha agradeço mais um dia de vida e ao sol, a minha saúde e o poder trabalhar.
Quando vejo alguém mal humorado agradeço meu senso de humor, e quando percebo os mal educados sinto gratidão pela minha educação. Essas são importantes lapiseiras.
E assim com pequenas coisas vou encontrando a felicidade, num sorvete ou um capuchino, no sorriso de um estranho ou na gargalhada de uma criança. Em montanha-russa, som alto do carro numa musica que gosto, um mojito num dia quente, dormir com a janela aberta, segurar um bebe no colo, banho de chuva, sexo bom, se achar linda um dia e no outro horrível e mesmo assim me amar.
Encontro lapiseiras num almoço com as amigas, numa piada no meio do trabalho ou numa taça de vinho em um fim de noite. Em ler um bom livro, assistir um bom filme e principalmente escrever.
Às vezes vejo lapiseiras onde menos espero, pode ser num telefonema ou um elogio, até em uma critica que ajude a me fazer crescer.
E assim eu vou de lapiseiras em lapiseiras construindo a minha felicidade. Porque ela não esta na futilidade, no material, nem em relacionamentos.
Ela é um estado de espírito, uma sensação de alma de dentro pra fora que alguns vão passar a vida sem poder sentir.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ser mulher

Não quero levantar nenhuma bandeira feminista mas a cada dia me deparo com o fato do quanto é difícil ser mulher.
Por varias vezes tenho escutado frases de homens dizendo que estamos tentando,(e é assim no gerundio mesmo por ser uma constante) nos igualar a eles. Mas tenho uma grande duvida, não somos iguais??
Que o mundo é totalmente machista estamos cansados de saber porem as coisas mudaram e estão mudando, nós já queimamos sutiãs, nós já assumimos presidência e nós queremos os mesmos lugares sim.
Sinto na minha pele todos os dias o quanto é difícil e complicado ter uma posição profissional sem ser taxada por algum motivo, porque mulher não tem capacidade de chegar a lugar algum, não sem algum homem, no meu caso por exemplo sou julgada por nepotismo. Mas o que tem mais me irritado mesmo é o fato do preconceito a liberdade sexual da mulher, há alguns séculos atrás e em algumas culturas até hoje a mulher não pode nem sentir prazer, e isso em minha opinião é o auge do machismo. Privar o prazer e a sensualidade da mulher simplismente para diminui-la e domina-la é a maior ignorancia do mundo, o fato de deduzir que mulher deve ser mãe e ponto, nao serve para dirigir e ponto e só serve para dar prazer e ponto é uma ignorancia sem tamanho, e o pior de todos os preconceitos. Somos iguais, todos seres humanos, apenas não temos pênis e olha que nem sentimos falta dele assim como os homens pensam.
Nos só queremos os mesmos direitos os mesmos salários e menos julgamento. Desde que me conheço por gente homem sempre pôde sair com quem quisesse a hora que quisesse e fazer o que quisesse, mas a mulher quando faz isso ganha uma tarja preta daquelas vista a distância.
Não acho mesmo que devemos ser promiscuas até porque a maioria das mulheres ainda sonham em casar, em ter uma companhia e acreditam em amor eterno. O que acho é que devemos ser vistas como iguais simples assim. Mulher também quer sentir prazer, mulher também sente desejo, mulher também gosta de sair com as amigas e jogar conversa fora. Mulher pode ser chefe, pode tomar decisões e na maioria das vezes consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Não somos melhores, piores e nem diferentes somos simplesmente humanas.