eu

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Minha Clarice

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Clarice Lispector

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Aprendi 1...

Aprendi que mudar meu gosto não é mudar minha essência.
E que mudar de opinião não é fraqueza.
Aprendi que ser humilde não é se humilhar.
E ser educado não é ser falso.
Aprendi que com cada pessoa posso ter um tipo de conduta.
E que não devo julgar situações que não vivi.
Aprendi que sofrimento é uma palavra que cada um incorpora a seu jeito.
E que ter medo é ter coragem.
Aprendi que posso me decepcionar com quem eu amo e mesmo assim continuar amando.
E que amizade pode nascer do improvável.
Aprendi também que posso ouvir conselhos do ser menos aconselhável e mesmo assim me surpreender.
Aprendi que ser mais velho as vezes não é ser mais sábio,mas na maioria das vezes quanto mais envelhecemos mais sabemos.
Aprendi que caio e levanto e que em alguns tombos preciso de uma mãozinha para levantar.
E o que mais aprendi é que ainda estou aprendendo a ser feliz…

domingo, 13 de novembro de 2011

Dá um medo pensar nessa vida, por isso não penso eu simplismente vivo.

a verdade nua e crua

Sempre tenho a latente impressão de que penso diferente de todo mudo que conheço me sinto fora do comum e fora desse mundo, tudo aquilo que as pessoas acham normal eu acho estranho e algumas coisas que as pessoas acham absurdas eu acho normal.
Sou tão transparente e bem resolvida com algumas coisas e para outras vou me enrolando em mim mesma e fico pensando e repensando 24 horas sem parar.
Complicada e simples é assim que me resumo, dizer o que penso é tão fácil que vou cuspindo tudo o que vem em minha mente e é isso que faz as pessoas irem aos extremos, ou elas me amam ou me odeiam.
Esse meu jogo de dizer a verdade e ser sincera começou na minha infância numa historia vergonhosa, mas tão simples de contar e é isso que vou fazer:
Eu tinha mais ou menos 12 anos e três grandes amigas na escola, amigas lindas e uma delas resolveu participar de um concurso de modelos no shopping, claro que com sua beleza e charme de menina delicada ganhou o concurso em 2º lugar. Achei o maximo e resolvi entrar nesse concurso, fiz a inscrição, passei a semana inteira treinando e na sexta-feira a noite desfilei toda feliz para ganhar como minha amiga, tal foi minha decepção quando fiquei em 5º lugar, ou seja, nem uma medalhinha, foi o fim para mim.
Fiquei com raiva, com vergonha, me senti muito humilhada, passei o final de semana inteiro chorando e dizendo aos meus pais que não iria para a escola na segunda-feira, como eu iria olhar para minha amiga e admitir que ela era melhor que eu, isso era revoltante, vergonhoso e não poderia admitir, mas meus pais deixarão bem claro que era problema meu e eu iria de qualquer jeito para o colégio.
Chorei, chorei, fiquei de cama, até que chegou o dia de enfrentar a fera, cheguei na escola e todas vieram me perguntar como foi o concurso, respirei fundo, engoli a seco e disse:
Não ganhei! (esperando já um milhão de risadas e comentários)
Ouvi então um rápido: Ta bom, vamos jogar queimada?
O fantasma era meu, o ego era meu, a competição era minha, voltei para a casa aquele dia fazendo uma analise sobre perder e ganhar, foi naquele momento que decidi e prometi para mim mesma que não teria problemas com a verdade nunca mais, por mais dolorosa ou vergonhosa que ela pudesse parecer.
Essa sou eu, uma pessoa que não tem problema em admitir os erros, as fraquezas, os medos e os sentimentos, se errei admito, se não sei, não sei e pronto, se levei um fora, a vida é assim, se caí levanto!
Mas se amo eu literalmente AMO!!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Acho que a Clarice me conhece!!!

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca...
Clarice Lispector

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O pior pedaço de mim...

Sou muito falante e exponho minha vida para quase todo mundo, isso assusta algumas pessoas e outras me acham corajosa, mas devo confessar que tirando aquela parte toda em que sou um livro aberto tenho meus segredos, aqueles que não conto para ninguém e escondo até de mim. É mais ou menos como o inconsciente que vai acumulando e socando tudo lá dentro, lá no fundo e aí um dia de repente ele abre a porta e deixa a verdade escapar, então tudo se mistura.
Essa é minha vida, existe uma Angela do lado de fora, a sorridente, feliz e egocêntrica, mas existe uma muito triste, carente e insegura essa é a do lado de dentro, ainda não descobri qual o lado mais forte em mim, só descobri que sou muito confusa e que não consigo me entender.
As vezes tento ter um panorama do meu passado e não consigo me lembrar quem eu era, e hoje não consigo saber ao certo quem eu sou.
A conclusão que chego é que sou alguém que esconde a tristeza em um sorriso, esconde os medos falando com as mãos e finge sempre que tudo esta bem quando no fundo esta cheia de frustrações por não conseguir ser boa em nada na vida.
Então aqui está hoje abri a porta desse inconsciente e estou no meu momento angustia contando toda a verdade para o meu futuro e para aquelas pessoas que me admiram pela excentricidade e felicidade.A minha verdade é essa, uma mulher frustrada que não se acha boa em nada.
Vejo-me assim e nunca mais conto isso pra ninguém, quem viu, viu.
Não sou bonita, sou muito arrumada, não sou inteligente me escondo atrás de alguns livros, não sou boa profissional na verdade sou péssima porque não me dedico em nada, não tenho curso nenhum porque todos que comecei na vida desisti.
Não sou magra, não sou corajosa, não sei ver em relógio de ponteiro e tenho preguiça de escovar os dentes, minto de vez em quando e dou desculpa para tudo que não consigo fazer, esqueço sempre de rezar e não tenho paciência no transito. Falo mal de quem eu amo pelas costas e uso mais de uma semana o mesmo pijama, já cai sentada no xixi alheio em banheiro publico e já bebi mais do que devia, já soltei um pum e jurei que não era meu e já guardei chiclete mastigado pra depois do almoço, já falei palavrão na frente de quem não devia e deixei de falar pra quem eu muito queria. Sempre peco pelo excesso e quando deveria exceder paro antes porque desisto, espero sempre alguém resolver os meus problemas e tenho muito, muito, muito medo de morrer e não ter ninguém pra encontrar do lado de lá.
Hoje eu contei uma parte bem pequena e singela dos meus segredos e juro que alguns eu nunca vou contar!!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma explosao de sentimentos...

Tantas e tantas vezes tentei voltar aqui mas de alguma forma me faltava inspiração, faltava um pouco de mim, faltava aquele meu pedaço de vontade da expressão da exposição, eu quis me esconder em meio as minhas sombras e meus desatinos tentando fingir o que não sou, esse é o fato de ser mulher, a gente busca tanto durante tanto tempo a perfeição e esquece de enxergar que talvez nos defeitos esta sua melhor face.
Por isso que resolvi voltar e deixar meus defeitos sobressaírem e nem ligar pra o q pensam de mim eu sei que sou assim esse misto de sentimentos que vai da raiva a alegria em um segundo e que ao mesmo tempo em que ama intensamente odeia ferozmente.
Aqui estou abrindo meu mundo quase que tão secreto e quase que tão banal e deixando florescer esse turbilhão de idéias de uma mente maluca.
Tem horas que me sinto tão menina, tão criança e tão feliz que quando me desperto para tudo q já passou caio em uma depressão quase que profunda.
Não sei se posso ser feliz por minhas experiências ou se me sinto cansada buscando uma juventude que não volta mais.
O que sei hoje é que assim de repente algo acendeu e despertou dentro de mim e voltei a ter vontade de escrever com minha alma. Acho que foi aquela estrela cadente que passou e realizou um pedido.
Assim estou ainda me dividindo em ser mãe e mulher, me dividindo em certezas e incertezas dessa vida que no fundo não quero saber de mais nada, quero assim deixar acontecer, jogar o futuro na areia e ele se misturar porque assim pode ser que saia algo diferente e bom.
Estou de volta para abrir meu coração a quem quiser me escutar e dizer que definitivamente deixo a vida me levar…